Sabedoria Que Não Temos

Este vídeo é antigo, caseiro, mas vale várias reflexões.

Naqueles tempos houve uma paralisação dos caminhoneiros em grandes proporções, chegando ao desabastecimento de combustível e alimentos em todas as partes do país. Infelizmente os resultados não foram os esperados porque a massa popular não apoiou e se quer entendeu qual era o pleito, que incluía toda a sociedade brasileira, ao menos, esta era o objetivo principal que a paralisação dava a entender.

Fiz uma postagem na época sobre o assunto e você pode acessar aqui.

O vídeo se refere à uma pessoa moradora de rua, onde ela mesmo se diz excluída da sociedade e que não contribui com esta, ao menos, é isso que dizem sobre pessoas como ela. Na definição dela por ela mesma,  já se vê uma pessoa com olhar amplo, muito além de si mesma.

Com um brado aos caminhoneiros, a primeira interpretação é de que mesmo com pouca formação, no máximo ensino médio para uma minoria e ensino fundamental para grande parte, os motoristas e/ou proprietários de caminhões estavam fazendo um movimento gigantesco e superior à “classificação” em que são incluídos por quem se diz superior, ou seja, eram pessoas simples, que trabalham muito, estudam pouco e estavam fazendo o que os “letrados” nunca fizeram.

Ela teve o olhar que a maioria não teve, o aparente caos abria portas para novas visões, abria novas possibilidades das quais as pessoas se quer cogitavam (e continuam não cogitando), pois estão acostumadas em um padrão e não querem abrir mão do conforto que o capitalismo “momentâneo” oferece. O exemplo simples de plantar algo em casa para alimentar a si mesmo não passa se quer no pensamento de muitos, mesmo tendo espaço para isso, ou seja, além de não aproveitar os locais que muitas vezes permanecem abandonados ou concretados, não contribuem com as próprias despesas pessoais que poderiam ser reduzidas. Poderíamos estender isso para o embelezamento das cidades mais verdes, a contribuição com o meio ambiente e a conscientização de quem entende que há um tempo para plantar, cuidar, esperar e colher.

Mesmo sem ter veículos, ela enxerga prontamente que o movimento pela baixa do combustível (no caso óleo diesel) não é algo isolado como a grande maioria interpretou. Se estava caro para eles logicamente os outros combustíveis também estavam caros para todos. A dimensão é muito maior, se a maioria dos produtos no Brasil são transportados por caminhões logicamente toda a cadeia produtiva e comercial fica mais cara cada vez que o combustível sobe e, mesmo assim, as pessoas foram consumir insanamente no período que deveriam se abster. Bem exemplificado por ela, a massa popular que tanto espera por “um salvador da pátria” foi contra ele quando este surgiu, ao invés de apoiar, desmobilizou e inviabilizou qualquer progresso da manifestação. Além de adquirir os produtos e combustíveis por preços exorbitantes e mostrar ao governo que sim, pagamos qualquer preço pelo conforto, não abrimos mão de nada por algo melhor, somos egoístas e só pensamos no hoje, se quer  refletimos no futuro dos próprios filhos.

Se tivéssemos alguma noção de coletividade, poderíamos exigir a reestruturação e ampliação de nossa malha ferroviária; a agricultura e as empresas teriam custos menores, maior competitividade no exterior, fluidez de sua produção e os empregos e salários justos que tanto procuramos poderiam ser ampliados consideravelmente. Os caminhoneiros, profissão que continuará insubstituível, poderiam ter melhores condições de trabalho, remuneração e reconhecimento popular que também abriria novos horizontes.

– “Se as pessoas pagam preço excessivo é o mesmo que aceitar a ditadura com nome de democracia e escravidão com nome de capitalismo.” – dispensa comentários adicionais.

O “tronco” e o “chicote” da escravidão moderna é não participar daquele grupo aprovado pela sociedade capitalista, ou seja, você tem que manter um padrão mesmo que esteja escravizado para não acabar como ela, excluído, sendo julgado e condenado por todos, alguém considerado inútil e infeliz, quando ela mesmo sugere que em sua simplicidade pode estar sendo mais feliz que nós, escravos modernos.

E dá uma aula de democracia e de nossa ignorância sobre o real sentido da palavra e de sua prática. Sempre nas mãos de um grupo, obedecemos como cordeiros, nos conformamos com migalhas, destruímos à nós, nosso país e nosso futuro porque não temos, como ela, uma visão ampla.

Limitados em nosso egoísmo, manipulados por mídias que nos conduzem conforme os interesses do grupo que as comanda, vivemos gerações após gerações sentados no sofá, reclamando e não fazendo absolutamente nada para mudar para melhor, pelo contrário, participamos de campanhas eleitorais de corruptos por qualquer vantagem pessoal ou votamos em quem pouco tempo depois nem lembramos o nome, não somos gentis, não fazemos nossa parte e nunca nos unimos.

Pagamos um preço caro demais por nossas escolhas e nem percebemos, alimentamos uma corja de novos e antigos milionários com dinheiro ilícito e o pior, a maioria, se tivesse a oportunidade, faria igual.

Atualmente, vivemos um caos, entre fake news sem fim, discursos de ódio e uma sociedade ainda mais dividida, vemos perderem-se as esperanças. Estamos mais desunidos do que nunca, marchando para a esquerda ou para a direita sem horizonte, sem luz, pagando caro pelo fanatismo e fechando as portas do presente e do futuro.

Cuidado em cada escolha, elas estão custando cada mais. Nem sempre é possível voltar atrás.

Até quando Brasil, até quando?

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