Localidade Ponta Comprida

Em meados de 2021, iniciei uma maratona em busca de informações sobre localidades de Guaramirim, Santa Catarina. Meu foco são localidades ou comunidades, vilas, tifas, áreas rurais do município.

Acredito ser importante procurar, juntar e escrever sobre estes locais para no futuro, pesquisas mais aprofundadas divulgarem material abrangente contando e perpetuando nossa rica história.

Inicio pela Localidade Ponta Comprida por lhe ter muito carinho. Meus avós paternos e maternos viveram ali, há parentes que ali residem e a família tem terras que sempre me levam a “passear” constantemente nesta região.

A partir de redes sociais, no Grupo Antigamente em Guaramirim, encontrei Fabio Krawulski Nunes, com uma análise sobre a origem do surgimento do nome:

Sobre a origem do nome “Ponta Comprida”, acredito eu que a resposta esteja assinalada neste detalhe do mapa de 1885 do alemão Henry Lange, onde aparece um pedaço do antigo curso que o Rio Itapocu ainda percorria no final do século 19, onde deságua exatamente o Rio ou Ribeirão da Ponta Comprida (assinalado com um círculo vermelho).

Nos dias atuais, esta curva acentuada que o Rio Itapocu percorria já não existe mais, sendo apenas uma área de várzea (onde se encontra descrito no contorno “Ponta Comprida” no mapa de 1885), pois o Rio Itapocu fez a retificação natural do próprio curso (assinalado com um pequeno traço amarelo). No Google Earth / Google Maps, poderão ser feitas as comparações de antes e de agora.

Ainda sobre o Rio ou Ribeirão da Ponta Comprida, também existiram outras nomenclaturas registradas no lugar deste rio em alguns mapas coloniais do século 19 como, por exemplo, “Rio da Tabatinga” e “Rio da Onça” (ambas as nomenclaturas acima situavam logo acima da foz do Rio Putanga com o rio Itapocu).

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Também o livro “Perfil Cultural Guaramirim”, (2011), sob pesquisa da professora Imelde Maria Sardagna Testoni e professor Dorly Antônio Follmann culmina no nome do rio para nomeação da localidade.

Sabemos que em Guaramirim, na região hoje onde se encontra o bairro Imigrantes, o nome anterior era Itapocuzinho, alusivo ao rio de mesmo nome (O rio Itapocuzinho era chamado de Itapocu-Mirim pelos primeiros exploradores. O nome “Itapocu” possui várias interpretações segundo a língua tupi, mas as mais aceitas traduções são: “Água da pedra estourada”, através da junção dos termos itá (“pedra”), pok (“estourar”) e ‘y (“água”)). Descobrir a origem do nome do Rio Ponta Comprida, ficou mais complicado e ainda não encontrei.

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Muito antes da nós, é possível que povos indígenas guaranis e itararés tenham habitado ou passado por estes locais. Minha mãe encontrou esta peça nas terras de Ponta Comprida. Pesquisas são realizadas por Museus Arqueológicos e universidades em toda região. Provavelmente há muito a se descobrir e também, infelizmente, muito deve ter sido perdido devido ao desconhecimento dos primeiros moradores.

Contando novamente com a ajuda de Fábio Krawulski Nunes, em um primeiro olhar, a peça aparenta ser uma ponta de lança em pedra granito de tradição Itararé.

Também através de rede social, reencontrei o historiador e amigo Ademir Pfiffer. Com grande material coletado e catalogado em vários blogs e com sua autorização, eis alguns dados interessantíssimos que transcrevo aqui:

  • O primeiro morador do local foi Carlos Blumit (* 10/05/1871 – + 28/03/1952). Imigrante da Letônia, fixou residência na localidade em 1901. Trabalhou como carpinteiro e construiu as primeiras casas, sendo que ainda há edificações feitas por suas mãos.

  • Em 25 de dezembro de 1902, acontece o primeiro culto religioso, da Igreja Batista.

  • Antigamente, o então Vale Ponta Comprida tinha cerca de 20 quilômetros dentro da área que hoje pertence ao município de Guaramirim e abrangia as localidades de Ponta Comprida Sul (Perdidos), atual Ponta Comprida, Figueirinha e parte do Jacu-Açu. No livro Uma Epopeia de Fé – História dos Batistas Letos no Brasil – O. Ronis, há menção de área em Joinville como pertencente ao mesmo vale, mas não é possível precisar onde e se este trecho atualmente é pertencente a Guaramirim. As modificações de extensão se iniciam com a implantação da Colônia Barão do Rio Branco em 1912 (atual Localidade Rio Branco). Vídeo disponível aqui.

  • Uma antiga escola/igreja, fundada pelo Pastor Pedro Graudins e também um cemitério existiu a partir de 1907 conforme vídeo do relato do Sr. Elmario Weigsding acessível aqui, onde hoje chamamos de “Entrada da Figueirinha”.

  • O cultivo de arroz chega à Ponta Comprida nos anos 1960, através da imigração italiana e de uma dragagem no Rio Ponta Comprida. Desta forma a abundancia de árvores frutíferas aos poucos vai dando lugar aos arrozais.

No início dos anos 1900 havia uma serraria nesta localidade. Segundo informações, era grande. Havia uma casa principal e casas de funcionários espalhadas pelo terreno. A “massa falida” foi adquirida pela empresa Emílio Manke S/A em 1937 do antigo proprietário e empresário Alfredo Wendel. Em 1943, Felipe Manke, então responsável pela Manke S/A revendeu o terreno para meu avô materno, que ali residiu até o falecimento.

A pequena Igreja Evangélica Assembleia de Deus e sua gigante árvore tem história centenária. Remontam aos primeiros moradores do local, os letos. Gostaria de saber mais detalhes de sua história e fundação. No momento sei que Leonardo Weigsding e família contribuíram muito, doando o terreno e trabalhando na manutenção do local.

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Em Ponta Comprida existiu a Escola Isolada Ponta Comprida. Esta edificação que foi também Zona Eleitoral e atualmente sem uso é posterior a outra de madeira, no mesmo local ou próximo dali. Em frente havia uma “Venda”, antigo comércio de variedades (secos e molhados) que teve vários proprietários sendo o último da família Devigili, quando já tinha se tornado um bar. Segundo informações, no local, além dos itens de consumo, funcionou até uma “Casa de Bailes” por um período. Gostaria de saber mais detalhes sobre esta escola e sua antecessora, onde vários familiares estudaram, inclusive minha mãe:

Em 1965, este era o certificado de conclusão do então Curso Primário Elementar, com assinatura do professor Olívio Taffner. Ela recorda também dos professores Stephano Wenk e Arnoldo Guesser e que nos dias de provas, outros professores ou professoras eram remanejados entre as escolas para que não houvesse dúvidas do aprendizado dos alunos. A fita que laçava o diploma nunca foi desfeita. Assim como foi entregue, está até os dias de hoje.

A Capela Católica Santa Cruz também tem história longa e uma antecessora em madeira, porém, não tenho mais detalhes no momento.

Na esquerda da foto, meus avós maternos Alexandre Lubaski e Juliana Michalak Lubaski, vindos do atual município de Massaranduba e descendentes de poloneses e austríacos. No lado direito, Valentina Táis Venturi e Luiz Venturi, vindos do município de Rodeio e descendentes de italianos. A foto é de 1990 na minha Primeira Eucaristia.

Esta postagem é especial porque traz histórias e também lembranças. Quem puder contribuir com mais informações será bem vindo e terá minha gratidão. Há muito para ser contado e eu quero contar. Conto com vocês!

Para mais postagens sobre Guaramirim, clique aqui.

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