A Divina Misericórdia – Parte I

Um livro profundo que alcançou muito mais que transmitir uma biografia: transmitiu a essência da Divina Misericórdia. Com grande dedicação, zelo e competência, Ewa K. Czaczkowska – jornalista, historiadora, publicitária e autora polonesa – dedicou anos de sua jornada em uma pesquisa ampla e detalhada da vida e missão de Santa Faustina Kowalska, nos trazendo, inclusive, informações da época, do contexto histórico e religioso e descrevendo a Polônia do início do século XX. A sinopse nos revela um pouco das 492 ricas páginas da obra:

“Ela foi acusada de heresia e de fantasias espirituais. Por muito tempo ninguém acreditou que essa moça simples e sem instrução havia sido escolhida por Jesus para ser a secretária da Divina Misericórdia. Quando experimentava as trevas, sentia que Deus a havia abandonado, que se encontrava completamente só. Quando via Jesus, conversava com Ele. Preparas o mundo para a minha última vinda – Disse-Lhe Jesus (cf. Diário 429). Como ela devia realizar isso? Em visões místicas, ela viu o inferno e a sua canonização. No entanto, a devoção à Divina Misericórdia espalhou-se pelo mundo inteiro – conforme o desejo de Jesus.

Este livro é o resultado da paixão de uma jornalista e historiadora. É a única biografia deste tipo da maior Santa Polonesa. A autora descobre fatos desconhecidos da vida de Irmã Faustina e revela os segredos do desenvolvimento da devoção à Divina Misericórdia.”

Dizer que ela foi agraciada com 82 aparições de Jesus registradas em seu diário e que resultaram na instauração da Festa da Misericórdia celebrada no primeiro domingo após as Páscoa é ficar na superfície do que foi esta experiência. Ela é considerava a maior mística da igreja católica, visto que alcançou uma unidade tão profunda com Deus ao ponto de conhecer céu, inferno e purgatório, ter o dom da vidência, de conhecer as almas pelo olhar (ainda que no contato com as pessoas estas nada lhe dissessem), da bilocação e de poder interceder ainda em vida pela almas.

Ler o livro é um mergulho, tive a sensação de estar sendo abundantemente abençoada durante a leitura e alcançar muitas respostas para minhas muitas perguntas. Santa Faustina ultrapassou até mesmo o tempo da forma que a gente conhece, conseguindo entender e experimentar o “tempo de Deus”. Ela volta e revive momentos da vida de Jesus na terra, bem como vai ao futuro e vê cenas deste. Chegou ao nível de não utilizar mais os sentidos humanos para comunicar-se com Jesus, receber sua missão e dar prosseguimento a ela, missão esta que consistia em preparar o mundo para a segunda vinda de Cristo, que virá não como Salvador, mas como justo juiz (página 124). Como ela mesmo escreve várias vezes, é difícil descrever em palavras tudo que viveu, visto que ultrapassou a condição humana.

Jesus lhe revela a imagem que gostaria que fosse pintada e divulgada no mundo inteiro e assim aconteceu, mas não sem muitas dificuldades e algumas décadas de trabalhos de muitos que estavam com ela e a sucederam na missão. Além disso, ensinou orações, entre elas o Terço da Misericórdia, no qual Jesus prometeu que as almas que rezarem este Terço serão envolvidas pela Minha Misericórdia durante as suas vidas. (página 296). Entende-se que Cristo menciona aqui a vida temporal (humana) e espiritual e, como condição fundamental para a realização das promessas que fez por meio de Santa Faustina estão a completa e irrestrita confiança na Misericórdia Divina, a perseverança na oração e a pratica de boas palavras e obras de caridade. Desta forma fica bem claro que a fé verdadeira, a prática desta fé através da oração e do amor e a misericórdia consigo e com o próximo foram, são e sempre serão fundamentais.

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Aqui acontece algo que pessoalmente me surpreendeu. Minha bisavó materna, Anna Ottenbreith (mãe de minha avó materna) nasceu em Ternopil, cidade de Podhajce, Reino da Galícia (que era formado por partes de alguns países, acesse aqui para conhecer) e já aqui no Brasil casou-se com um polonês, Ladislau (Wladislaw) Michalak, de Trebki. Ambos nasceram entre 1880 e 1890 e até mim já havia chego o que foi revelado para Santa Faustina: Antes de vir como justo Juíz, venho como Rei da Misericórdia. Antes de vir o Dia da Justiça, nos céus será dado aos homens este sinal: toda luz se apagará no céu e haverá uma grande escuridão sobre a terra. Então aparecerá o sinal da Cruz no céu, e dos orifícios onde foram pregadas as mãos e os pés do Salvador sairão grandes luzes que, por algum tempo, iluminarão a terra. Isso acontecerá pouco antes do último dia (páginas 296 e 297). Como meus tataravós, pois Anna e Ladislau chegaram crianças ao nosso país, sabiam desta revelação? Ficou em mim um misto de familiaridade e dúvidas sobre outras fontes onde Jesus tenha se revelado.

Ainda neste quesito, na página 405 relata-se um concurso para uma nova pintura do Jesus de Misericórdia. Nele, um “parente” chamado Antoni (Antônio) Michalak foi um dos artistas, porém a imagem já existente, de Adolf Hyla foi a que ganhou o mundo.

Faustina é exemplo de humildade e obediência, não reclama das ordens que recebe, das humilhações que lhe são atribuídas e das intensas dores que sente até a morte por tuberculose aos 33 anos, coincidentemente, Santa Teresinha também morre de tuberculose aos 24 anos. Exímia cozinheira, trabalhou onde era necessário e sempre pediu a iluminação divina para cumprir suas obrigações quando não sabia o que ou como fazer. Até em suas fraquezas humanas vai conseguindo elevar-se e vencer as seu temperamento natural e suas paixões, o que sabemos, não é tarefa nada fácil.

Historicamente o livro retrata o que vivia a Polônia e a Europa naqueles tempos com detalhamento assertivo, nos conduzindo sem dúvidas por aqueles caminhos. Além disso, explica com propriedade como são realizados os trabalhos na igreja para aceitar experiências místicas, promover pessoas à santidade e, neste caso, a instauração de uma adoração especial. Para mim foram detalhes desconhecidos sobre a teologia, que vista de fora, parece ser praticada como uma ciência exata e causar morosidade e dificuldades em casos como de Santa Faustina. Também me causou espanto a definição da divindade de uma forma “clássica e irredutível”, como se Deus tivesse um perfil específico e fosse obrigatório que tudo mais se “encaixe” neste perfil, porém, não tenho conhecimento e autoridade para questionar os mais de dois mil anos de uma igreja que se mantém firme apesar dos muitos ataques, que consegue manter tradições e dogmas, dar conforto e paz para muitas almas, além de realizar inúmeros trabalhos beneficentes no mundo inteiro e que, também à mim é o caminho principal para a o entendimento da espiritualidade.

Você pode encontrar informações e o livro na Editora Apostolado da Divina Misericórdia ou em alguma livraria de sua preferência. Se ler, compartilhe comigo nos comentários se sentiu-se tão profundamente atraído pela obra ao ponto de não querer parar a leitura, assim como eu.

Além das publicações há vários filmes produzidos contando esta história magnífica. Minha preferência é por livros, na minha opinião eles são mais profundos e detalhados, mesmo assim, fica a opção clicando aqui caso você queira assistir.

Como Santa Faustina era devota de Santa Teresinha (Santa Teresa de Ávila) e embora não tenha lido seu diário, “História de uma Alma”, fiz a leitura “por ela” e por mim, logicamente.

Diferentemente da Biografia, a autobiografia de Santa Teresinha me causou alguma dificuldade inicial, mesmo com as atualizações, em entender seu linguajar e a forma como vivia. É surpreendente a pureza e dedicação dela e de toda família às “coisas” de Deus, aliás, é tanto amor familiar como nunca li. Outro ponto é a extrema inocência do dia-a-dia de Teresa e a felicidade por também alcançar um nível elevadíssimo de união com Deus. Mesmo de origem abastada, nunca se deslumbrou com o mundo e obteve grandes graças ainda em vida.

Voltarei com a segunda parte pois ainda tenho muito a viver e dizer deste livro transformador, bem como de outras publicações relativas à Divina Misericórdia.

Até breve!

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