De Moto Pela Vida

motos

Naqueles tempos difíceis, havia dias que ir ao trabalho tornava-se uma tortura.

Frio e por vezes muito frio, chuva e uma longa distância me faziam querer desistir, mas eu não podia, eu tinha que enfrentar pois, como muita gente, precisava do salário, que já não era muito.

Aos que fazem uso de motocicletas, sabem que por mais blusas, casacos e calças, os dias frios continuam congelantes. Luvas, meias, botas, roupa de chuva e você se sente nu tal a sensação fria e cortante que lhe atravessa o corpo.

A viseira dos capacetes não tem limpador, logo, nos dias de chuva você se obriga a levantá-la para pode enxergar a estrada e consequentemente, a água entra no capacete e desce pelo pescoço. Por mais que tente evitar, algumas ou muitas gotas, dependendo da intensidade da chuva, vão molhar seu corpo.

Era um desses dias extremamente frios e chuvosos, onde eu já não sentia as mãos e os pés, daqueles que eu orava para encontrar um caminhão e poder ir atrás, no calor do motor. Ao parar no semáforo uma moça na mesma situação pára ao meu lado.

Ela me olha, tenta sorrir e diz:

  • Estou com tanto frio…

Quase não consigo responder dizendo o mesmo tal a sensação gélida que congelava até a boca.

Poucos metros à frente, o ônibus sai do ponto e choca com sua moto…ela está lá, deitada no asfalto molhado e frio…

Eu paro em tempo de ver alguns movimentos e então ela desmaia (ou morre?), a polícia chega rápido e diz que devo ir embora, pois não sou da família, não tenho nenhuma informação para acrescentar.

Nunca soube o que aconteceu com aquela moça, nunca soube se ela teve muitos ferimentos, se viveu ou não. Lá se vai mais de uma década e meia…

Ontem lembrei-me dela quando parei no mesmo semáforo e uma moça parou sua “motinha” perto do meu carro e sorriu. Ontem eu estava protegida pela minha “casca de lata”, o dia era de sol e até um certo aquecimento, eu tinha todo o prazer do ar condicionado, de ouvir a música preferida, do conforto e lá estava aquela mocinha, que um dia fui eu e que foi aquela sem nome que vive na minha memória, numa história para sempre sem desfecho.

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