Irmã Liduína Venturi

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Com a vinda de imigrantes italianos ao Vale do Itajaí – Santa Catarina, em 1875, formou-se a cidade de Rodeio. Como em outras cidades do estado, também em Rodeio as escolas eram mantidas pelas comunidades e muitas delas sob a responsabilidade do pároco local.

No início do século XX, era pároco, em Rodeio, Frei Polycarpo Schuhen, ofm. Como havia a necessidade de professores para as chamadas “escolas paroquiais”, Frei Polycarpo dirigiu-se à Pia União das Filhas de Maria e à Ordem Franciscana Secular, em busca de colaboradores.

A primeira jovem que se apresentou com “grande desejo de colaborar” foi Amábile Avosani que, em 04 de agosto de 1913, assumiu a escola em Aquidabã, hoje município de Apiúna – SC. Tempos depois vieram outras duas jovens: sua irmã, Maria Avosani e Liduína Venturi, que passaram a assumir o trabalho na região de São Virgílio, em Rodeio. Foi nesta comunidade que, no dia 14 de janeiro de 1915, as três jovens, interrogadas por Frei Polycarpo, manifestaram sua pronta decisão de dar continuidade ao trabalho nas escolas.

Este foi o início da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. Aos poucos, outras tantas jovens foram se unindo ao grupo, animadas pelo mesmo ideal apostólico de contribuir na evangelização através da educação e da catequese. Passaram a formar pequenas fraternidades, inseridas em meio ao povo, em comunidades rurais do interior da paróquia. Sua vida era simples, ocupavam-se com os trabalhos escolares, ajudavam em atividades na igreja e dedicavam-se às funções da casa e aos trabalhos hortigranjeiros.

No início, o grupo contou com a orientação e apoio das irmãs da Congregação da Divina Providência, sobretudo de Irmã Clemência Beninca. Estas residiam em Rodeio, desde 1905, onde mantinham uma farmácia e também lecionavam em escolas paroquiais.

Em 1931, Dom Pio de Freitas, primeiro bispo de Joinville, informou a Congregação dos Religiosos sobre a existência do grupo de Irmãs que, no início, se chamou de Companhia das Catequistas.

Aos poucos o grupo foi crescendo e se expandindo para outras regiões. Em 1947 as irmãs foram em missão para o então estado do Mato Grosso, ao mesmo tempo em que se expandia a ação em outras cidades no sul do país. A partir de 1967, a Congregação se organizou em províncias. Hoje conta com seis províncias.

A missão das Irmãs se estendeu também a outros países e continentes. A partir de 1983, a congregação passou a marcar presença missionária em Angola – África e, em 1984, na Argentina. Ao celebrar os 75 anos de história, as Irmãs decidiram somar em outros países da América Latina, assumindo a missão na Guatemala (1992), República Dominicana (1993), Bolívia (1996) e no Paraguai (1997). Atualmente a congregação marca presença em 22 estados no Brasil e em outros 10 países. Além dos acima citados, as irmãs estão em Moçambique, Haiti, Chile e Peru.

O projeto de vida das Irmãs Catequistas Franciscanas é seguir Jesus Cristo, vivendo no meio do povo. A partir da inspiração de São Francisco e Santa Clara de Assis, as irmãs buscam viver na simplicidade, alegria e disponibilidade, a serviço da vida, onde esta se encontra mais fragilizada.

A partir do final da década de 1990 e começo dos anos 2000, foi se fortalecendo na congregação a atuação em novos espaços, passando do meio rural para as periferias das grandes cidades, a partir de uma presença comprometida com os meios populares. Continuaram os trabalhos com a catequese, com novos métodos, na formação de lideranças e nas Comunidades Eclesiais de Base. Fortaleceu-se o trabalho em projetos sociais, com grupos de economia solidária, com povos indígenas em aldeias e no meio urbano, com a população em situação de rua, catadores/as de material reciclável, mulheres e jovens, saúde popular, movimentos ambientais, de direitos humanos, de moradia e outros espaços junto ao povo sofrido.

A partir do novo milênio, cresceu a compreensão de que é preciso abrir caminhos de trabalhos em redes e parcerias, com outras pessoas e grupos, num esforço constante de atualização do Carisma. Para responder a esta perspectiva de uma caminhada mais aberta, plural e sintonizada com os apelos atuais, iniciou-se um trabalho de parceria com pessoas leigas. Chamados de Simpatizantes do Carisma em várias regiões, estes grupos, juntamente com as irmãs, aprofundam a espiritualidade “francisclariana”, além de aspectos da história e do Carisma da congregação e participam das programações e projetos da instituição.

Autoria e Fonte: Irmã Beatriz Catarina Maestri

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Em 2003, Irmã Augusta Neotti, CF,  publicou um livro através da Editora e Gráfica 3 de Maio com o título “Liduína Venturi – Mulher Do Sorriso Evangelizador“. Bastante abrangente, traz fotos, fatos e história bem relatados tornando a leitura envolvente. Leia um dos depoimentos:

“Salve Irmã Liduína, grande Mestra! Nós, povo de Itoupava a recebemos em 1933, de braços abertos. Que saudades! Com muito orgulho ficamos com Irmã Liduína até 1941, recebendo e usufruindo seus ensinamentos e suas palavras profundas, saídas de sua mente e de seu coração. Suas aulas de catequese atraíram adultos e crianças. Todos saíamos da igreja emocionados. Aqueles encontros de domingo à tarde na escola para a doutrina de Primeira Comunhão e Crisma nos deixaram marcados positivamente. Nós crianças, fazíamos de tudo para ficar perto de Irmã Liduína. Ela nos transmitia energia e paz. Lembro-me que carregava com carinho os pequenos no colo. Quando rezava, parecia mais um anjo que uma pessoa. Seu olhar era divino, penetrante e adivinhava o que queríamos dizer. Seu sorriso constante tinha algo do céu. Ela cativava a todos e nós, estimulados com isso, vivíamos felizes. Admirávamos a agilidade com que fazia os diferentes trabalhos: serviços da casa, catequese, jardim, horta, enfeite da igreja, etc. As festas! O que dizer das festas? Como eram bonitas! Os ensaios, a decoração, todos os alunos faziam questão de participar! Eram tardes e noites festivas, onde o pessoal se aglomerava para não perder os belos espetáculos e festejar a vida. Esses tempos tão preciosos jamais se apagarão das nossas mentes e dos nossos corações. Espero que Irmã Liduína, que nos ensinou aqui na terra a viver felizes, de lá do céu onde está, continue nos abençoando e intercedendo a Deus por nós”

Irmã Yolanda Fonza, FMA (extraído do livro).

Sobre o parentesco, ela é filha de meu tataravô Bortolo Santo Venturi e tataravó Mathilde Maria Cipriani Venturi (na foto os dois com uma das filhas cujo nome desconheço).

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Atualmente as pessoas querem manter vivas as histórias das famílias, lugares e instituições. Por gratidão, consciência e perpetuação para as futuras gerações, várias iniciativas têm surgido com êxito e guardo com carinho uma das lembranças de Irmã Liduína distribuídas na região. Eu e ela temos traços de semelhança espantosa e fica nesta postagem minha homenagem à antepassada que é lembrada por fazer o bem.

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2 comentários sobre “Irmã Liduína Venturi

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